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Dra. Silvia e Dr. Cláuber discutem a importância da vacinação e comentam o caráter preventivo como auxílio ao envelhecimento saudável. 
A vacinação sempre foi e continua sendo uma das formas mais eficazes de prevenção de doenças e promoção de saúde, sendo extremamente segura inclusive para a população idosa.
A Pandemia causada pelo vírus Covid-19, causador da SARS-CoV2, iniciada ao final do ano de 2019, trouxe para discussão a importância relacionada ao uso de vacinas no contexto da prevenção e controle de gravidade de doenças. No universo dos cuidados com a população idosa, essa medida se torna fundamental para a promoção de um processo de envelhecimento bem sucedido, bem como na manutenção da qualidade e aumento na expectativa de vida.
As diversas mudanças nos processos biológicos, que ocorrem com o transcorrer da idade, como por exemplo a imunossenescência, ou seja, a ocorrência de alterações na função imunológica relacionada ao envelhecimento, com consequente declínio no desempenho de diferentes atividades do sistema imune, acarreta um aumento na suscetibilidade a infecções, doenças autoimunes, câncer, além de prejuízo à reposta vacinal. Além disso, a ocorrência de uma infecção aumenta o risco de descompensação de doenças preexistentes, condição muito comum na população idosa.
Por estes motivos, o geriatra e os demais profissionais que promovem os cuidados ao indivíduo idoso devem estar sempre atentos à atualização da carteira de vacinação, tendo como objetivos a prevenção da ocorrência de doenças infecciosas, a diminuição da gravidade dessas, bem como minimização dos riscos de complicações clínicas e internações hospitalares.
As principais vacinas recomendadas à população de faixa etária maior que 60 anos são:
- Influenza: Vacina de vírus inativados e fragmentados, trivalente ou quadrivalente, indicada para recebimento anual após os 60 anos. Deve ser adiada a administração em situações de doença febril ou na presença de distúrbios de coagulação ou diminuição significativa do número de plaquetas, bem como não deve ser aplicada em pacientes com alergia a ovo.
- Pneumocócica: Indicada para todos os idosos acima de 60 anos, com intervalos diferentes a depender do tempo e tipo de vacina recebida. Há dois tipos: 13-valente (somente no sistema de saúde privado) e 23-valente, sendo que os pacientes podem tomas ambas, com intervalo de 6 meses.
- Dupla Adulto (contra tétano e difteria) ou Tríplice Bacteriana Acelular (contra tétano, difteria e coqueluche): devem ser administradas a cada dez anos para os indivíduos já vacinados anteriormente ou em esquema de três doses para os não vacinados ou esquema desconhecido.
- Hepatite B: Vacina de vírus inativado, recomendada para todos os adultos. O esquema completo consiste em 03 doses, com intervalos de tempo predeterminados. A vacina contra hepatites A+B encontra-se disponível apenas na rede privada, mas também deve ser realizada sempre que possível.
- Febre Amarela: Vacina de vírus vivo atenuado, indicada para idosos que vivem em áreas de risco para a doença ou que pretendam viajar para essas regiões (pelo menos com 10 dias de antecedência) ou ainda quando houver exigência internacional para viagens. Recomenda-se avaliação individualizada para a indicação da vacina em idosos, por existirem maiores riscos de eventos adversos nesta faixa etária. Atualmente, o esquema vacinal no Brasil tem recomendado somente uma dose.
- Herpes-Zoster: Indicada para todos os idosos acima de 60 anos, principalmente para aqueles que já apresentaram varicela (catapora) em outros tempos. Nos casos de varicela ou zoster recentes, recomenda-se aguardar 01 ano após o evento agudo, para a vacinação. Disponível apenas na rede privada.
- SARS-CoV-2: Atualmente encontram-se disponíveis no Brasil diversas vacinas contra Covid-19, sendo elas: Butantan (Coronavac), AstraZeneca, Pfizer, Janssen, com esquemas vacinais diferentes nos aspectos de número de doses e intervalos entre doses. Para a população idosa, além do esquema vacinal completo (que varia de acordo com o imunizante utilizado), está indicada uma dose de reforço, que deve ser administrada 6 meses após a última dose realizada.
Existem ainda outras vacinas que podem ser utilizadas na população idosa, como por exemplo, as vacinas meningocócicas (B e ACWY) e a tríplice viral (caxumba, rubéola, sarampo). No entanto, a indicação de cada uma delas deve ser individualizada, considerando o contexto epidemiológico e imunológico de cada paciente.
Desta forma, a vacinação deve ser estimulada como meio importantíssimo de prevenir doenças, promover envelhecimento saudável e aumentar a expectativa de vida.
